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Pacotes combinam hardware e software para grandes trabalhos
No trabalho das centrais de processamento de dados, a tendência hoje é substituir os módulos por pacotes.
Os fornecedores estão oferecendo aos clientes pacotes montados de hardware e software que tornam mais fácil e mais barata para eles enfrentar os picos de dados associados à era da Internet ¿um dilúvio de informações que vem não apenas de bancos de dados internos mas de aplicativos de colaboração na Web e em celulares, sensores que monitoram o uso de eletricidade, a contaminação ambiental e os embarques de alimentos, e até mesmo pesquisas genéticas e biológicas.
A tendência de combinar hardware e software em pacotes explica algumas grandes aquisições recentes no setor de tecnologia: a compra da Sun Microsystem pela Oracle, por US$ 7,4 bilhões; a aliança entre a Hewlett-Packard e a Microsoft anunciada no mês passado; e a parceria semelhante formada entre a Cisco Systems e a EMC.
Mas os cientistas da computação nas universidades e empresas de tecnologia dizem que simplesmente unir com mais eficiência as peças básicas de hardware e software antes de entregá-las aos clientes já não é o bastante.
"O grande desafio é tomar todos esses dados e gerar conhecimentos úteis com base neles", disse Kunle Olukotun, cientista da computação na Universidade Stanford. "Trata-se de uma imensa oportunidade em termos de ciência e de negócios, mas também representa um imenso problema de computação".
O caminho para minerar de maneira inteligente essa explosão de dados, afirma Olukotun, envolve novas abordagens quanto à divisão das tarefas de computação em subtarefas que possam ser processadas simultaneamente ¿um conceito conhecido como computação paralela- e em novos designs de sistema otimizados para tipos específicos de trabalho.
Projetar sistemas de computação tendo em conta o trabalho a ser realizado representa um abandono da abordagem hoje dominante, que favorece projetos de propósitos gerais, nos quais as máquinas são construídas para que sejam capazes de enfrentar toda espécie de tarefa e depois programadas para realizar tarefas específicas.
Diversas empresas estão começando a levar sistemas com design otimizado de acordo com as tarefas ao mercado mais amplo de computação empresarial e governamental. A promessa, dizem os analistas, envolve não apenas abrir as portas a vantagens competitivas como reduzir custos de energia e ajudar a automatizar a administração e gestão de sistemas de computadores ¿uma despesas que está crescendo quatro vezes mais que os custos de hardware, devido ao custo elevado da mão-de-obra.
A IBM, de acordo com analistas setoriais, lidera o esforço de desenvolver sistemas mais adequados a cada cliente ou tarefa. E, a partir de hoje, ela começa uma série de inícios que devem ser conduzidos ao longo do ano para dar forma à sua nova abordagem.
A IBM está lançando uma linha de grandes servidores que empregam seus processadores Power 7 de 32 núcleos. O preço unitário é de US$ 190 mil, e as máquinas tipicamente operam com sistema operacional Unix ou Linux, e se destinam a setores como finanças e companhias de infraestrutura, bem como a organizações de pesquisa científica. No mês que vem, a IBM planeja revelar sistemas de servidores bem mais baratas, equipados com processadores padronizados do setor, fabricados pela Intel. Essas máquinas, tipicamente acionadas pelo Unix ou pelo Microsoft Windows, serão usadas para colaboração via Web, e-mail e outros aplicativos.
"Não se trata simplesmente de produtos de hardware, mas do resultado de anos de trabalho e investimento em todos os níveis, do silício ao software", disse Rodney Adkins, vice-presidente sênior de sistemas e tecnologia da IBM. "E o verdadeiro desafio é otimizar tudo isso, e não apenas o hardware".
O emprego inicial das chamadas grades inteligentes de infraestrutura aponta para os desafios que o volume cada vez maior de dados a ser processados oferece. Leitores inteligentes de consumo de eletricidade podem averiguar as temperaturas ambientes e consumo de energia em intervalos de uma hora ou de 15 minutos, em lugar do padrão antigo que envolvia leitura manual do relógio de luz a cada mês ou dois, pelos funcionários da empresa.
O objetivo das grades inteligentes, que alguns governos vêm começando a subsidiar pesadamente, é oferecer aos domicílios e empresas informações atualizadas sobre seus hábitos de consumo de eletricidade, a fim de reduzir o uso de energia e a poluição, e propiciar economia de custos.
Isso envolve não apenas recolher os dados mas também analisá-los e apresentá-los aos consumidores de maneiras fáceis de compreender ¿tipicamente um site personalizado que mostra o consumo de energia em uma residência e o custo envolvido.
A eMeter, uma produtora de software para grades inteligentes em San Mateo, Califórnia, diz que o uso dos sistemas P7 da IBM adaptados a tarefas específicas poderia mais que duplicar sua capacidade de administração de leitores inteligentes de eletricidade, elevando-a a 50 milhões de aparelhos. Em um dos projetos da eMeter, as companhias de energia de Ontário, no Canadá, instalarão 4,5 milhões de leitores inteligentes de eletricidade até 2011. Antes, os leitores eram verificados a cada mês ou dois; mas com o sistema digitalizado, a leitura será horário, o que representa geração de dados 100 vezes maior.
"Se não for possível medir a energia constantemente e em nível granular, nas casas e empresas, a grade inteligente não funciona", disse Scott Smith, diretor de soluções técnicas na eMeter. "É preciso um grande volume de poder de computação para realizar a tarefa na escala requerida".
Cientistas da computação, biólogos e pesquisadores da Universidade Rice e do Centro Médico do Texas vêm trabalhando com cientistas da IBM a fim de ajustar os sistemas P7 às necessidades das pesquisas sobre o câncer. Simulações genéticas e de dobras de proteínas requerem muito mais processamento especializado de alta velocidade e memória, nos computadores, disse Kamran Khan, vice-presidente de tecnologia da informação na Rice.
A IBM, ele disse, enviou à universidade três biólogos dotados de doutorado para trabalhar com a instituição. "Eles realmente compreendem o aspecto computacional da tecnologia", disse Khan.
Essa abordagem de mais diversidade maior no projeto de sistemas de computação reforça o risco de que um cliente termine preso a uma ou duas grandes empresas. De fato, o motivo para que as centrais de processamento de dados prefira há muito a abordagem de módulos para a compra de hardware e software, porque isso garante a concorrência entre fornecedores.
Mas a desvantagem sempre foi a de que os clientes tinham de combinar sozinhos o hardware e o software, enquanto a complexidade das tarefas de computação e de armazenagem de dados aumentava. Muitas empresas, ao que parece, estão dispostas a aceitar menos concorrência entre fornecedores em troca da conveniência e do custo mais baixo de sistemas que venham como pacotes pré-formulados.
"É uma questão de encontrar pontos de equilíbrio", disse Frank Gens, analista chefe no grupo de pesquisa IDC. "E esse, afinal, é o modelo que a Apple usou com tanto sucesso na tecnologia voltada ao consumidor".
Fonte: Site Terra
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